Noriel Vilela - Eis o ôme - 1974
- 12 de dez. de 2015
- 3 min de leitura

Difícil, muito díficl falar sobre Noriel Vilela, em especial, sobre este álbum. Digo isso pela imensa admiração que tenho por esse artista de carreira curta, mas que sem dúvidas foi e sempre será um ponto à parte na história de nossa música.
Nascido no bairro do Lins de Vasconcelos ( zona norte do Rio de Janeiro ), iniciou sua trajetoria músical como integrante do grupo de "Nilo Amaro e Seus Cantores de Ébano", que se tratava de um grupo vocal formado apenas por cantores negros. O grupo era constituído por uma soprano, uma mezzo soprano, uma contralto, dois baixos, um tenor e três barítonos, onde claro o destaque se dava para a voz de baixo profundo de Noriel.
Tendo em vista as apresentações junto com o grupo já citado, Noriel gravou um compacto e este que foi seu único álbum, por conta da morte precoce do cantor, segundo dizem no ano de 1975. Não existem muitos registros sobre a vida pessoal de Noriel, sequer se sabe sua data de nascimento. Quanto à sua morte, existem duas versões, onde uma seria a de que morreu vitimado por leucemia, agravada por conta de uma profunda anemia; e a outra versão é de que teria sofrido um choque anafilático, resultante de uma anestesia utilizada durante um procedimento odontológico.
Voltando à sua breve, porém profícua, vida artística, o compacto gravado por Noriel continha o hoje muito conhecido "16 toneladas" (uma versão de uma canção norte-americana dos anos 40, "Sixteen Tons"), regravada há poucos anos pelo grupo "Funk Como Le Gusta" e também utilizada em uma propaganda de cervejaria.
"Eis o Ôme", como fica evidente, é um álbum recheado de partido alto, sambalanço e Samba-Rock; tem toda sua temática voltada para ritos africanos, contemplação aos orixás e citações de pontos de candomblé.
A voz de Noriel é de um grave único, realmente impressiona. Dentre tantas maravilhas que esse álbum nos proporciona, dou destaque para faixas como "Promessado", "Só o ôme" e "Eu tá vendo no copo", que conseguem mesclar o culto afro com o humor de uma maneira extremamente respeitosa, "Saravado Xangô" mostra todo o vigor da voz de Noriel, que por vezes soava como um trovão; além da fantástica "Acocha Malungo"; que na minha opinião é a melhor faixa do álbum. Um instrumental de primeira, um naipe de metais super afiado, um coro de primeira linha, um órgao Hammond de fundo que conduz a harmonia da canção com maestria, fazendo uma ótima cama para Noriel soltar sua potente voz.
De pouco tempo para cá, este álbum foi relançado e ganhou o status de cult, já não era tempo, mas ainda há muita gente que precise ouvir essa obra e conhecer Noriel.
Fico pensando, se tivesse tido mais tempo de vida, quantas outras maravilhas esse cantor único poderia ter produzido, mas o destino assim não quis, logo! Cabe a nós admirar o que foi feito e muito bem feito...
Salve Noriel!!!
Faixas:
Promessado (Carlos Pedro)
Saravando Xangô (Avarése - Edenal Rodrigues)
Só o Ôme (Edenal Rodrigues)
Meu caboclo não deixa (Avarése - Edenal Rodrigues)
Pra Iemanjá levar (Delcio Carvalho)
Samba das águas (Josan de Mattos)
Lado B
Eu tá vendo no copo (Avarése - Edenal Rodrigues)
Acredito sim (Avarése - Edenal Rodrigues)
Peço licença (Avarése)
Cacundê, cacundá (José de Souza - Orlando)
Acocha malungo (Sidney Martins)
Saudosa Bahia (Noriel Vilela - Sidney Martins)








































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